sábado, 25 de setembro de 2010

Uma ceia natalina


Há algum tempo que havia abandonado estas letras das minhas páginas. Há algum tempo que havia abandonado estas páginas da minha vida. Mas elas retornaram... Retornaram do âmago mais relutante em mim e vieram correndo aos meus pensamentos. Fizeram-se água. Fizeram-me beber dela, embora não quisesse, embora não pudesse mais. Mas, que culpa tenho se não controlo as gotas d’água que caem do meu céu? Talvez toda a culpa. Acusado por um júri injusto, ausente, onipotente. E o que eu faço? O que faço se nem minha sombra segue-me mais? É como se meus medos perdessem o medo de mim, então se familiarizam, acham-se meus amigos e me acompanham. Não perguntam. Não opinam. Apenas seguem-me. Dou um passo adiante e vejo meus medos, ou os traços deles, desenharem-se por trás de mim... Eu corro. Corro e corro. Mas quanto mais ando, maiores são os traços deles. É como dar vida à luz da esperança, que, diante a um belo pôr-do-sol, é condenada a caminhar para sempre, como se não possuísse o direito de descanso, como se não possuísse o direito de tardar, sendo sempre fadada a fugir das sombras do poente. Palavra engraçada essa. Poente. Mais seria um poeta decadente. Bem como o sol diante à morte do dia, vê-se um livro inteiro, com suas palavras e gravuras, destoando-se de linhas e margens. Um mundo inteiro, por fim, tomado pela negritude da noite.

E nesta noite de hoje... Caramba! Que noite! Que dias tem sido estes?! Não me parece que o natal aproxima-se, não consigo ouvir os sinos de Deus, não consigo ver o cintilar do pisca-pisca, nem a estrela de Maomé. Os anjos? O natal leva os anjos embora. Leva-os de nós sem pedir permissão, leva-os de nós, mas nos deixa embrulhadas, sob o pinheiro seco, embalagens, algumas amarrotadas, outras enquadras ou até bem emolduradas, todas caixinhas de presentes. Eis as lembranças. Ora, o natal é bom! Veja as lembranças! E as bolas vinho tinto? Refletem os olhos da humanidade... Vermelho de choro, escuro, impuro... e se me perguntarem sobre o que acho do natal, direi, sem hesitação, já tenho lembranças de mais sob minha árvore e anjos demais além do meu céu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Exumação...


Enfim vão exumá-la.

Será a segunda vez, visto que na primeira tentativa a decomposição não atingira nível suficiente. Nada contra exumá-la. Não estive lá da primeira vez e não estarei da segunda. Mas nada contra.
Acho injusto apenas não me darem esse tempo para me despedir...

Marcaram a data. Chamaram alguns poucos íntimos. Decidiram os detalhes. E por fim me avisaram. E como me consideram, não?! Minha opinião sendo sempre requisitada... Faz-me sentir até mais importante assim. Piada.... Absurdo de piada!

Estou frustrado.

Não há palavras em meu vocabulário que melhor o descrevam... Frustrado já basta...

Não sei bem como explicar (e nem me importa que venhas a entender), mas, para mim, é como se ela estivesse indo embora novamente. Como se fosse uma última fotografia, e que de repente se apaga em minhas mãos. E não me deixam sequer dizer 'adeus'! O que esperavam que eu dissesse?!! Tenho razões suficientes para passar pela porta e não voltar por anos... Mas tudo que fiz foi chamá-los de egoístas... E ainda se acham no direito de achar ruim... De fato, "ruim", "péssimo", até...

Que se danem, também! É a filha de vocês?! É também minha irmã, caso não se lembrem mais.... É fácil cobrar piedade do mundo, olhar para si mesmo e dizer que as coisas estão além de seus limites, mas há fatos (gestos, ações) que dependem apenas de nós. E de mais ninguém. E esse foi um caso deles.

Minha irmã morreu há 6 anos. Amanhã abrirão o túmulo dela para terminarem de separar os ossos do que restou da carne pútrida. E não me deram sequer o direito de dizer adeus.

Pra alguém que já perdeu um filho, deveriam ser mais sensíveis quanto aos sentimentos daqueles que restaram.

Amanhã eu sairei pela mesma porta de todos os dias. Mas tenham certeza de que demorarei muito, muito mais para voltar.

Preciso de um tempo pra mim...

sábado, 18 de setembro de 2010

O caso do dono do blog...


- Olá...

- Oi...

- Por favor, você saberia me informar o que aconteceu com o cara que escrevia aqui?

- Aquele cara alto, de cabelo curto e óculos? O meio esquisito?

- Esse mesmo!

- Não... Não faço ideia. Parece que ele tem andado sem tempo, ou algo assim...

- Ele sem tempo?! Besteira! O cara é um vadio total!

- Foi o mesmo que eu disse! Mas me contaram que agora ele está voltando a se ocupar...

- Com o pebolim ou com a cama? rsrs...

- rsrs... Boa... Ele desistiu de tentar carreira no pebolim (pena! ele era um talento nato! :( ) e a parte da cama é injusta... o cara quase não dorme...

- Verdade...

- De qualquer modo, dizem que ele resolveu tomar a iniciativa e virar a página. Ele está participando de dois programas (pesc e pet) e, ao que tudo indica, vai querer voltar a estudar...

- Mas ele não tem tanto tempo livre assim!

- Verdade... é que você me interrompeu, babaca ¬¬ . Anyway, ele vai se mudar para perto da faculdade (adeus Zona Leste \o/ KKK) e então vai passar a dispor de mais tempo livre... Talvez até volte a escrever no blog!

- Hm... Que notícia ótima! Os fãs estavam quase para cometer suicídio!

- Nossa! Não sabia que o blog era tão visitado assim... Achava que só ele olhava...

- Não, não... Muito pelo contrário, o número de seguidores tem aumentado assustadoramente, veja: 3/0 -> infinito

- Nossa! Fantástico hein... ¬¬