
Sozinho...
Naquele instante, isso era mais do que apenas uma palavra. Mais até do que aquele sentimento conhecido por todos. Era algo novo. Um vazio maior. Mais fundo. Mais pesado. Era como se, num dado instante, algo tivesse se rompido entre mim e o restante do mundo. Um elo. Anônimo. Desconhecido. Como se uma parte minha houvesse se perdido nas minhas sombras mais negras.
Mas, nem só por isso o mundo mudara sua trajetória. As pessoas davam continuidade a suas rotinas. As meninas brincavam... Os garotos brincavam... As mulheres amavam... As cores eram as mesmas... Os cheiros... Os sabores... A luz sobre as flores.... O movimento da grama ao vento... A vida mantinha, de um modo singular - e talvez até inexplicável - sua magnitude única. Esplêndida. Mas não para mim.
Dizem que ninguém chega a saber a verdadeira razão pela qual alguém se suicida, que é muito mais prático para ele expor as causas fáceis do que as reais.
Tenho muito a perder ainda. Não sou suicida (embora ainda que o fosse, dissesse o mesmo). Mas posso dizer, com uns poucos traços de dúvida apenas, que começo a entendê-los.
Não há tanto a se perder quando já se perderam os gostos da vida.
É... Bem dizia Shakespeare:
ResponderExcluir"Com o tempo você aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte."
Como que o mundo, entendendo-o como sendo limitado a sua percepção, pode continuar sua trajetória se seu elo se perdeu?
Um dos seus mundos parou de girar, mas o Mundo - aquele que abriga todos os bilhares de mundos - continuará ainda que um dos outros se perca.
Entretanto, se o Mundo se perder, nenhum dos outros bilhares poderá continuar...
:P