
Aos infernos, todos!
Começo deixando claro aqui meu atual estado de espírito, quer entendam-no como raiva ou como frustração.
Já nos aproximamos da metade do mês de julho e eu ainda não fiz porra nenhuma de diferente, excetuando-se uma ida ao teatro, no qual um amigo se apresentaria (um passeio que, por sinal, me custou uns aborrecimentos, mas isso não convém agora) e uma "reunião" com mais outros dois amigos... a fim de jogarmos cartas. Em suma foram passeios bons, consegui me divertir e rever pessoas importantes, até conhecer outras também.
Mas é bem menos do que esperava do meus mês de julho...
Estava refletindo sobre isso nestes meus últimos dias de tédio (um oceano) e cheguei a conclusão de que ninguém se importa com porra nenhuma. Nada que não interfira em seu próprio ego ou bolso lhes tem algum valor! Então dane-se se as pessoas que conviveram com você esperam, no mínimo, um alô de você! Dane-se se essa pessoa programou algo pra fazerem no fim de semana e reunir os amigos! Dane-se! (mas apenas se já houver outros compromissos, não é? Apenas se a opção por deixar de vê-los ou de respondê-los não lhes acarretar prejuízo financeiro ou moral) Em qualquer outro caso, simplesmente... "Dane-se!"
As pessoas tem uma maneira estranha de atribuir valor umas às outras, sobretudo aos "vulgo amigos". A sensação que tenho é de que as pessoas apenas se PREOCUPAM com eles de um tal modo e com uma tal intensidade em relação direta à interação social que apresentam atualmente (e que fique claro aqui que agir por preocupação é diferente de agir simplesmente por agir). Sendo mais claro [ou apenas tentando], as pessoas parecem se preocupar apenas com quem ainda lhes pertence ao atual grupo social de que participam, com quem ainda mantém, com certo grau de frequência, algum tipo de interação. Não lhes importando os demais.
O estranho, contudo, é notar que essas mesmas pessoas, que vivem sob um voto mudo de que o "correto" é ser altruísta e pensar no próximo, conseguem esquecer com exuberante rapidez aqueles a quem um dia chamaram de "amigo" ou por quem tiveram um mínimo de consideração sequer. Pense você agora que caos seria se as pessoas mais importantes da sua vida simplesmente deixassem de se preocupar com você.... Chato, não é? É daí que surgem essas "regras sociais", como a citada acima. É o medo da instabilidade, do desamparo, da solidão e da fragilidade que levam-na a imperar o altruísmo como modo correto de agir e de ser, muito embora a natureza do ser humano seja a ambição e a ganância (salvo alguns raros casos excepcionais).
Mas, basta o medo não estar presente no ser humano (agora tratado de modo individualizado) para que este escape das correntes de algumas dessas "leis sociais" e passe a agir de modo natural, sem censurar seus instintos ou desejos mais primitivos. Algumas dessas "regras", ao serem quebradas e perderem sua imagem de intransponíveis, terminam por dar espaços a sociopatas, ladrões, falsários e etc. E desse mesmo modo, podemos estender essa ideia à ganância de uns e à miséria de outros, à estupidez de alguns e ao poder de outros, ao medo de uns e a tirania de outros.
Todos tem o altruísmo como algo moralmente/ politicamente correto. Tanto você quanto eu. mas a mensagem que tento lhes transmitir aqui é a seguinte:
"Como esperamos ser de fato altruístas e caminhar rumo a uma sociedade mais unida e solidária se nos esquecemos até mesmo daqueles que já foram importantes para nós?"
Reflitam...
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