terça-feira, 27 de julho de 2010

Borboleta Azul...

MINHA BORBOLETA AZUL


Quando pequeno,

Ainda muito, muito pequeno,

Tinha uma borboleta.

Era minha.

Só minha.


Era minha menina.

Toda de um azul celeste.

Azul céu, Azul mar, Azul água.

Azul giz de cera,

Que corre, voa e se encerra

No vago vão das folhas

Velhas.

Amassadas,

Esquecidas,

Perdidas.


Que lembranças tristes!

Que lembranças tristes, meu Deus!

Me traz ela!


Eu era tão feliz, tão completo.

Tinha o mundo e mais um pouco.

Tinha a ela, e tinha a tudo.


Mas, chegado o dia,

Sem sequer um aviso prévio,

Abandonou-me a companhia

E foi-se embora.


Não me dera explicações,

Dissera apenas que era hora

Que hora de ir-se embora.

Partiu então, sem sequer

Dar-me adeus. Deu-me as costas

E disse apenas: Vou-me embora.


Pedi-lhe que ficasse,

Disse-lhe meus medos,

minha solidão.

Declarei-me a ela, como

Um príncipe a uma princesa.

Como um viciado, à sua droga.


Mas nada lhe comovia.

Meu Deus! Como ela era fria!

Chorando, pedi que ficasse.

Disse a ela, que sem ela,

Eu nada seria.


Mas, impassível, ela me disse,

Em voz tenra e muda:

-Amigo, na vida nem tudo se muda

E agora, já se deu minha hora.


E, então, ao fim de sua palavra,

Foi-se, enfim, embora.


Embora...

Embora...

Para sempre: embora.

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