
Quando pequeno,
Tinha uma borboleta.
Era minha.
Só minha.
Era minha menina.
Toda de um azul celeste.
Azul céu, Azul mar, Azul água.
Azul giz de cera,
Que corre, voa e se encerra
No vago vão das folhas
Velhas.
Amassadas,
Esquecidas,
Perdidas.
Que lembranças tristes!
Que lembranças tristes, meu Deus!
Me traz ela!
Eu era tão feliz, tão completo.
Tinha o mundo e mais um pouco.
Tinha a ela, e tinha a tudo.
Mas, chegado o dia,
Sem sequer um aviso prévio,
Abandonou-me a companhia
E foi-se embora.
Não me dera explicações,
Dissera apenas que era hora
Que hora de ir-se embora.
Partiu então, sem sequer
Dar-me adeus. Deu-me as costas
E disse apenas: Vou-me embora.
Pedi-lhe que ficasse,
Disse-lhe meus medos,
minha solidão.
Declarei-me a ela, como
Um príncipe a uma princesa.
Como um viciado, à sua droga.
Mas nada lhe comovia.
Meu Deus! Como ela era fria!
Chorando, pedi que ficasse.
Disse a ela, que sem ela,
Eu nada seria.
Mas, impassível, ela me disse,
Em voz tenra e muda:
-Amigo, na vida nem tudo se muda
E agora, já se deu minha hora.
E, então, ao fim de sua palavra,
Foi-se, enfim, embora.
Embora...
Embora...
Para sempre: embora.
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